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 Fonoaudiologia
20/02/2018

Cuidado com ruídos em excesso

Seja no local de trabalho ou em momentos de diversão, é preciso cuidar do aparelho auditivo


Blocos e trios elétricos animaram os foliões nesse carnaval. Só em Belo Horizonte, por exemplo, foram quase 500 atrações para os mais diversos públicos. E, em meio à diversão, muitos foliões sequer se deram conta dos possíveis males gerados pela proximidade com os ruídos emitidos pelas caixas de som.

No estudo “Perda auditiva induzida pelo ruído em trabalhadores de bandas e trios elétricos de Salvador/BA”, os médicos do trabalho Carlos Roberto Miranda e Carlos Roberto Dias caracterizam o ruído como um dos agentes nocivos mais presentes nas cidades, principalmente nos locais de trabalho e atividades de lazer. É comum ir a shows e voltar com zumbidos no ouvido, devido à exposição prolongada. Além disso, quem trabalha na área de construção precisar usar protetores auriculares para evitar o barulho em excesso.

Os efeitos são bem conhecidos pelos médicos. Quanto mais tempo ficamos expostos a um som muito alto, mais as células sensoriais do aparelho auditivo se degeneram. Essa lesão pode levar a perdas progressivas e irreversíveis, mas também gerar zumbidos, tontura, dor de cabeça, distúrbios gástricos, alterações na pressão e estresse, dentre outros sintomas.

Limites toleráveis

Para não prejudicar o bom funcionamento do ouvido, é preciso ficar atento à intensidade do som e ao tempo de exposição. No ambiente de trabalho, esses limites são descritos na Norma Regulamentadora nº 15, criada pelo Ministério do Trabalho.

Fonte: Ministério do Trabalho

Ou seja, em uma jornada de oito horas diárias, o nível máximo de ruído a que o trabalhador deve ser submetido são 85 decibéis. Acima disso já pode prejudicar a audição e gerar algum tipo de doença ocupacional.

Quem se encontra a 50 metros de um trio elétrico, por sua vez, está exposto a 96 decibéis. Para quem fica logo atrás dele, o ruído pode chegar até a 120 decibéis. “Nesses casos, a pessoa pode perceber um zumbido quando se deslocar para um ambiente silencioso. A tendência é que ele suma depois de um tempo, mas, caso permaneça, é necessário procurar um especialista para avaliar possíveis lesões nas células auditivas”, alerta a fonoaudióloga da Sercon, Daiane Lopes Guimarães.

Pelas regras atuais, o trabalhador exposto a barulho excessivo em seu ambiente de trabalho tem o direito de se aposentar mais cedo. Ao invés dos 35 anos previstos para os demais trabalhadores, ele pode dar entrada no pedido com apenas 25 anos de contribuição ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As empresas são obrigadas a produzir laudos que devem permanecer à disposição do empregado e do INSS – essa informação é obrigatória para se requerer a aposentadoria antecipada. E nem o uso dos equipamentos de proteção individual invalida o direito, pois o simples fato de se expor ao risco já garante o benefício.

Dicas para prevenção

  1. Use protetores auditivos sempre que estiver exposto a sons intensos, seja nos momentos de diversão ou durante o horário de trabalho;
  2. Não fique exposto por mais de uma hora a um ruído intenso. Mesmo com o protetor, procure intercalar o barulho com períodos de repouso auditivo, em ambientes silenciosos;
  3. Ao utilizar fones de ouvido, mantenha o volume até a metade da capacidade do aparelho;
  4. Caso identifique zumbidos ou sinta tonturas ao sair de um ambiente com som alto, não insista. Isso pode ser um sinal de lesão auditiva ou sensibilidade ao som intenso;
  5. Caso os sintomas persistam ou você tenha alguma dúvida, consulte um médico.

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