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 Fonoaudiologia
17/11/2017

Trabalho em altura: importância da avaliação otoneurológica

Empregados devem ficar atentos ao menor sinal de tontura


Quando se trabalha nas alturas, a preocupação com o equilíbrio corporal deve ser redobrada. Qualquer desatenção com a segurança ou com a própria saúde pode gerar incidentes graves. A boa notícia é que ações e exames médicos simples evitam que isso ocorra. Neste post vamos falar sobre os riscos do trabalho em altura e a importância da avaliação otoneurológica para a prevenção de acidentes.

O risco das alturas

O trabalho em altura é uma das principais fontes de acidentes ocupacionais no Brasil. Em 2012, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, 40% deles estiveram ligados a quedas, principalmente na área da construção civil. Obras, montagem de estruturas, manutenção e reforma de telhados, limpeza de fachadas e serviços em postes elétricos e linhas de transmissão são apontadas pelo Ministério como as atividades que mais trazem perigo ao trabalhador.

A Previdência Social levantou um dado ainda mais preocupante: em 2011, 25% das mortes registradas durante o trabalho decorreram desse tipo de acidente, um reflexo direto da falta de legislação específica sobre o assunto. Até o início de 2012, nosso país não possuía uma norma para controle de trabalhos em altura – a atenção se limitava à utilização de equipamentos de proteção individual e coletiva, sem questionamentos reais sobre a segurança do empregado.

Isso só mudou com a publicação da Norma Regulamentadora nº 35 (NR-35), em março de 2012, que priorizou a realização de tarefas ao nível do solo e estabeleceu os requisitos mínimos para atividades acima de dois metros. Outra novidade trazida pela legislação é o direito de recusa, por meio do qual o trabalhador pode dizer que não executará uma tarefa se as condições o expuserem a risco. Isso vale, inclusive, para sua condição de saúde.

O que são as tonturas

Para fazer qualquer atividade com segurança, ainda mais em altura, é preciso cuidar do equilíbrio do corpo. Basicamente, ele pode ser definido como a capacidade de manter a massa corporal dentro da base de sustentação. Ou seja, conseguir retornar a uma posição confortável após movimentos que o tirem da zona de conforto.

Para garantir que isso ocorra, precisamos estar atentos aos três principais sistemas do nosso corpo: nervoso, visão e vestibular, sendo este último o mais importante. Localizado próximo ao ouvido, é o grande responsável pelo equilíbrio do ser humano. Qualquer alteração nesse sistema pode gerar tonturas, um termo genérico para representar os sintomas do desequilíbrio corporal.

Elas podem se manifestar como uma percepção espacial errônea, ilusão ou alucinação de movimento, sensação de desorientação (seja ela rotatória – vertigem – ou não) ou até mesmo desequilíbrio e distorção visual, que dá a sensação de que você está balançando para frente ou para trás. Qualquer um desses sintomas pode desencadear uma série de consequências, tanto psicológicas quanto físicas, que impedem o trabalhador de exercer sua função com segurança.

Avaliação otoneurológica

O principal método de prevenção de acidentes causados por tonturas é a triagem otoneurológica, que analisa previamente os distúrbios do equilíbrio corporal (como tonturas e vertigens). Na Sercon, por exemplo, é realizada a triagem otoneurológica, que avalia o equilíbrio estático por meio do teste Romberg; o equilíbrio dinâmico, onde examina a marcha; e o teste de coordenação motora, que analisa a função cerebelar.

Caso a pessoa seja considerada apta, ela pode realizar o trabalho em altura sem problemas, desde que siga os demais procedimentos de segurança indicados. Se for confirmada alguma alteração, o trabalhador deve ser encaminhado para uma avaliação otoneurológica completa, que inclui exames específicos para identificar qual o seu problema de saúde e propor o tratamento mais adequado.

Para entender o tamanho do problema, a pesquisa “Triagem otoneurológica em operários da construção civil que executam trabalho em altura”, realizada em 2016, avaliou trabalhadores expostos à altura no campus saúde da Universidade Federal de Minas Gerais. Foram desenvolvidas provas de equilíbrio e avaliações dos nervos cranianos. Os resultados mostraram que um terço deles apresentava queixas relacionadas ao equilíbrio corporal ou zumbido, fatores de risco para o trabalho.

Por isso é tão importante realizar a triagem otoneurológica antes de começar qualquer trabalho em altura. Só ela terá condições de indicar se o paciente está apto ou não para o serviço, evitando possíveis incidentes.

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