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 Psicologia Ocupacional
15/05/2017

Escarificações na adolescência

Em tempos de Baleia Azul, a presença e o diálogo permanecem a melhor saída


A adolescência é um momento de transformação da subjetividade e do físico, no qual se vivencia um misto de lembranças, de adoração e estranhamento ao corpo. O adolescente experimenta algo em si mesmo que transcende à palavra. É frequente que todas as transformações sofridas por ele sejam acompanhadas de dor.

Em uma tentativa de aliviar uma angústia que o indivíduo não entende, o ato de se cortar é uma maneira de escoar dores que lhes são estranhas. Em outras palavras, as escarificações são uma forma de lesão provocada deliberadamente por uma pessoa a seu próprio corpo, sem intenção de suicídio. É uma maneira de marcar o corpo, em uma automutilação superficial e que desvia das normas sociais.

As escarificações são marcas da separação, da rejeição e que, ao mesmo tempo, recobrem o encontro traumático com o vazio. O ato de escarificação traz alívio e opera como medicação para o sujeito. É uma tentativa de manter-se vivo e não de destruição pessoal.  É uma atitude esvaziada de simbologia cujo objetivo é expurgar um mal-estar interior que atormenta o ser.

Escarificações na contemporaneidade: o que fazer?
A manifestação de sofrimento psíquico por meio das escarificações destaca-se na contemporaneidade. Embora devam ser tratados caso a caso, considerando a singularidade em questão, alguns padrões podem ser notados em sujeitos que praticam a escarificação:
– há um elemento desencadeador que produz uma situação de embaraço;
– esse embaraço é constituído de uma invasão do pensamento, de uma angústia e de uma sensação de estar preso a si mesmo;
– o sujeito se encontra desconectado, perdido, e não consegue fazer laço com o outro;
– no momento em que o sujeito experimenta o abandono, em que se é confrontado com o vazio, ele vive uma sensação inexplicável no corpo. É uma experiência que não passa pela mediação do discurso do outro e que sofre os efeitos de uma contaminação imaginária – daí o caráter epidêmico das escarificações;
– após o ato vem a dor e o bem-estar. Isso interrompe o processo no qual o sujeito se encontra e a subjetividade se apoia nos cortes e nos seus efeitos de nomeação e de identificação: “sinto dor… eu me sangro…”.

O verdadeiro ponto de basta da prática de escarificações se dá em torno de alguém que acolhe, que faz uma mediação através da palavra, e não em torno do virtual. É preciso que cada um encontre uma solução particular para tratar a relação entre imagem e corpo que afeta o ser do sujeito. Pais e tutores devem estar sempre disponíveis e presentes para que o adolescente angustiado encontre, nestas pessoas de confiança, um espaço para o amor. O adulto pode e deve estar em posição de escuta para que o adolescente tente simbolizar o desconhecido, ao invés de praticar atos autodestrutivos.

Tendo o amor como suporte, o adolescente pode construir uma ligação do corpo com a imagem de si e com o outro simbólico, produzindo um apaziguamento que não passe pelas escarificações e seus efeitos de identificação imaginária.

Rayssa Andrade

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