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 Psicologia Ocupacional
27/06/2018

Depressão no contexto ocupacional

Quando tudo vai mal em sua vida profissional, como evitar a desesperança e conseguir lidar com depressão?


Em tempos de crise, uma das principais preocupações das pessoas é com o desemprego. Já em situação de normalidade, a competitividade se torna fator de motivação, no sentido de colocar o sujeito à procura de aperfeiçoamento e superação. Entretanto, essa busca também traz angústias, pois implica sempre o olhar do outro, que é, ao mesmo tempo, ponto de referência e ponto opaco, enigmático, desse movimento rumo ao desconhecido.

Nunca se sabe exatamente o que o outro espera de nós. É por isso que nos angustiamos. A interpretação que fazemos do suposto desejo do outro (ponto de referência) é o que nos coloca em marcha na tentativa de satisfazê-lo. Sempre! Fazer um bom uso da angústia pode levar à produtividade e despertar sentimentos de realização, bem-estar, prazer e satisfação.

Mas nesse processo de troca com o outro, também ocorrem momentos de tristeza, o que é normal frente à incerteza e à falta de segurança. No entanto, quando impera a desesperança – como ocorre em tempos difíceis –, a angústia pode ser paralisante e instaurar um sofrimento psíquico patológico.

Nesse caso, estaremos diante de um quadro de depressão. O sujeito perde a motivação, o prazer e a alegria de realizar suas atividades do dia-a-dia. Suas funções cognitivas, como raciocínio e memória, ficam prejudicadas, e o desejo de viver fica em suspenso. Nos casos mais graves, as pessoas não conseguem nem mesmo identificar os próprios desejos que dão sentido à sua existência. E como consequência, temos o apagamento do prazer e o comprometimento do fluir da vida.

Como enfrentar a depressão?

Não há uma receita padrão que funcione para todos. Cada caso é um caso, mas é certo que uma pessoa com depressão precisa buscar ajuda profissional. Mesmo assim, o processo de melhora pode ser lento.

Fazer uma introspecção sobre como está sua vida, avaliando o que poderia lhe dar prazer e os seus desejos mais simples e realizáveis, pode ser um bom começo. A depressão é uma covardia moral diante da realidade. Em algum momento o sujeito deprimido começou a se anular e não se deu conta de estar cunhando, lentamente, sua morte subjetiva. Dessa forma, tornou-se apagado para a vida e não consegue mais desejar e ter prazer.

A boa notícia é que é possível sair dessa. O tratamento psicológico, aliado a mudanças de hábitos – como a prática de atividades físicas e de lazer –, é o ponto de partida mais acertado para sair da depressão e retomar o fluxo da vida. Porque a vida é bela, desde que percebida e vivida intensamente. Sempre há uma saída! É preciso encontrá-la na singularidade de cada um.

Terezinha de Jesus Dias Souza
Psicanalista/Psicóloga
CRP 04/22526

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