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 Psicologia Ocupacional
18/12/2018

Mal-estar e trabalho

Dissociação entre conquistas e bem-estar nos faz refletir sobre a subjetividade da nossa época.


O investimento em inovações tecnológicas é feito, em muitos casos, para proporcionar um mundo melhor a todos. Mas estamos observando um fato curioso: quanto mais as descobertas são superadas, mais as pessoas se descobrem infelizes e incapazes de compreender suas relações e afetos.

Da descoberta da penicilina à decodificação do DNA, dos calmantes naturais à criação dos mais modernos antidepressivos, nenhum dos artifícios criados tem sido capaz de garantir felicidade e bem-estar. E, pior ainda, tem gerado o efeito contrário.

Quanto mais as pessoas dispõem de ferramentas para garantir seu conforto, prazer e saúde, mais elas adoecem, deprimem-se e enlouquecem. Desconsiderando os benefícios obtidos com os avanços da moderna tecnologia científica – que, sem dúvida, melhorou muito a vida da sociedade em vários aspectos –, não se pode ignorar os efeitos colaterais decorrentes do discurso capitalista e do progresso da ciência, que afetam sobremaneira o modo de vida e as relações sociais.

Os chamados sintomas hipermodernos – ou novos sintomas, como depressão, anorexia, bulimia, síndrome do pânico, estresse, fobia social, toxicomania e síndrome de burnout – surgem como efeito de um desenvolvimento que ultrapassa os limites da sustentabilidade humana. Essa dissociação entre conquistas e bem-estar nos impõe questões que, se não trazem respostas esclarecedoras, pelo menos nos fazem refletir sobre a subjetividade da nossa época.

Na falta de uma compreensão razoável sobre os fenômenos humanos que se apresentam na atualidade, tanto na esfera social quanto na individual, as instituições sociais buscam formas de reparar os danos causados aos indivíduos. Atormentadas por uma perspectiva catastrófica para a humanidade, as nações procuram assinar tratados e acordos internacionais em diversas áreas, numa tentativa de reverter a situação caótica em que se encontram as camadas e esferas sociais. Ou, pelo menos, desacelerar o processo de autodestruição.

No âmbito das empresas, deve-se promover ações para amenizar fatores potencialmente determinantes de mal-estar e estresse, tanto no trabalho quando fora dele, a fim de levar à reflexão a relação de cada um consigo mesmo e com o mundo. O objetivo é interpelar o sujeito quanto à sua posição diante de seus anseios, para que ele possa implicar-se em suas escolhas e responsabilizar-se por seus atos. Acredita-se que esse processo de mudança individual e coletiva possa tornar o ambiente de trabalho mais humanizado.

Por Terezinha Dias

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