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 Psicologia Ocupacional
23/04/2020

Avaliação psicossocial: aplicação prática nas empresas

A avaliação psicossocial é uma das ferramentas mais importantes para avaliar se o funcionário está apto a enfrentar certos riscos. Veja como ela funciona na prática.


A capacidade de dar respostas rápidas a situações críticas que, muitas vezes, colocam em risco a própria vida é uma necessidade para muitos trabalhadores que sabem que um simples descuido pode ser fatal. Nesses casos, é essencial estar mentalmente saudável para reagir bem a pressões externas e internas. E, para analisar se um profissional está apto a enfrentar esse desafio, é feita a avaliação psicossocial. 

Realizada por profissionais formados em Psicologia, a avaliação é composta por instrumentos que avaliam se alguém é capaz ou não de enfrentar momentos de estresse no ambiente de trabalho. É um ponto presente, inclusive, em algumas Normas Regulamentadoras. A NR 33, que trata da segurança em espaços confinados, e a NR 35, sobre o trabalho em altura, deixam clara a necessidade da realização de testes para garantir a segurança e a saúde dos empregados.  

No livro Avaliação psicossocial: Psicologia aplicada à Segurança do Trabalho, a psicóloga Lúcia Simões Sebben defende que o instrumento veio não só para assegurar a presença de pessoas saudáveis em funções de risco, mas também “ampliar a visão sobre gestão de pessoas e ressignificar o papel dos líderes e das organizações no que se refere a seu compromisso com o bem-estar de todos”. 

Leia também: A importância da avaliação psicossocial para os trabalhadores 

A autora acredita que essa avaliação não pode ser simplista, a ponto de olhar apenas para os comportamentos esperados dos colaboradores. É preciso ir além e explorar a formação de valores e atitudes, de forma a entender como as influências se manifestam e determinar as condições da pessoa para lidar com os riscos psicossociais e submeter-se a um trabalho perigoso. 

“Para melhor compreender a influência do ambiente no comportamento e nas reações das pessoas em geral é preciso levar em conta as expectativas e as necessidades depositadas em cada ambiente”, afirma Lúcia Sebben. No trabalho, por exemplo, é onde surge a oportunidade de aprender e produzir, desenvolver a mente e o corpo por meio da prática de novos comportamentos, enfrentar desafios e identificar a capacidade de superação. 

Os riscos psicossociais envolvem tudo o que se passa na vida pessoal e profissional de uma pessoa e pode trazer prejuízos para sua saúde mental. Todos os elementos externos gerados por fatores sociais, familiares e profissionais – como cobranças excessivas, pressão, sobrecarga, preocupações e tensões do dia a dia – influenciam nesse processo. Uma visão mais moderna vigente na área de Recursos Humanos entende que o profissional traz consigo uma bagagem, sendo impossível separar o pessoal do profissional. “A partir do momento que as empresas adotam esse conceito e implementam ações de segurança que contemplem essa visão, passamos a adotar um novo paradigma, que aceita, entende e respeita todas as vulnerabilidades e susceptibilidades do comportamento humano diante de situações de risco.” 

Há uma avaliação padrão? 

Existem diversos modelos de avaliação psicossocial que podem ser utilizados, a depender das expectativas e exigências de cada empresa. Algumas, por exemplo, preferem um documento rico em detalhes, baseado em normas e testes específicos. Outras optam por um resultado simplificado, restrito às conclusões dos pontos avaliados. 

Fato é que não há um modelo estabelecido pela Secretaria do Trabalho ou pelos órgãos de fiscalização que delimite os conteúdos e critérios a serem avaliados. Por isso, recomenda-se que o profissional responsável pela avaliação faça uma visita técnica à empresa para entender sua realidade – que abrange desde a cultura organizacional aos riscos a que os profissionais estão expostos.  

Isso, claro, deve ser conduzido com cuidado para que a proposta a ser apresentada esteja adequada àquela realidade. “Um trabalho investigativo sempre gera ansiedade, desconfiança e turbulência diante dos avaliados e dos gestores, que não sabem como as coisas vão ficar caso haja muitos inaptos”, explica a psicóloga em seu livro. Alguns pontos, porém, são essenciais para atingir um bom resultado: 

  • Perfil atitudinal: antes de avaliar o comportamento dos empregados, é preciso avaliar suas atitudes. Ou seja, a base de valores já estabelecidos para que essas atitudes se manifestem em um comportamento tranquilo e seguro diante dos riscos. Isso é feito a partir de pesquisas com os profissionais, mas exige tempo. Entretanto, uma versão simplificada por ser feita a partir da visita técnica realizada para entender a realidade da empresa. 
  • Testes psicológicos: são um dos pontos centrais da avaliação psicossocial, pois detectam as condições do empregado relacionadas à atenção (se concentrada, dividida ou difusa), à memória visual e auditiva, além dos sintomas de estresse e seu nível de comprometimento. Realizados sempre por psicólogos, esses testes buscam entender quais são as atitudes e a base emocional do profissional avaliado para garantir um comportamento seguro.  

Antes de elaborá-los, porém, é preciso pensar no que eles irão avaliar. Só assim é possível criar ferramentas adaptadas à realidade da empresa e fiéis ao resultado esperado. Além disso, eles não podem ser tratados como decisivos na conclusão, mas como mais um elemento para embasá-la. 

Laudo x Parecer 

A forma como o resultado será apresentado à empresa pode variar, dependendo de quem for o profissional que o receberá. Se for um médico do trabalho, é recomendável um parecer técnico, que apresente o conteúdo de forma sucinta, sem termos técnicos em demasia e exposição do avaliado além do necessário. Isso já será suficiente para que ele possa fazer sua própria avaliação e liberar ou não o funcionário para as atividades planejadas. 

Mas, caso quem vá receber o documento seja um psicólogo, é possível se aprofundar mais nas análises e produzir um laudo mais completo. Dessa forma, são repassados todos os detalhes relevantes para o caso, cujos termos técnicos só serão entendidos por outro profissional da área de Psicologia. Neste caso é necessário seguir as regras para a elaboração de documentos escritos produzidos por psicólogos, conforme Resolução nº 6 do CFP, de 29 de março de 2019.  

O que significam os resultados 

De forma objetiva, a avaliação psicossocial mostrará se um trabalhador está apto ou inapto para determinada atividade – ou, como alguns pesquisadores preferem, “recomendado” ou “não recomendado”, devido à natureza subjetiva e transitória da avaliação. Antes desse resultado, porém, muito deve ser avaliado. 

O primeiro ponto é saber se o ambiente ao redor é propício à melhora das condições de saúde e estimula atitudes positivas e a recuperação do empregado. “A necessidade de adaptação desse colaborador a um ambiente que não facilita a formação de condições adequadas para um bom desempenho e que preserve sua saúde mental será mais lenta e necessitará um esforço maior por parte desse indivíduo, que precisará recorrer a outros recursos internos para ajustar-se a uma demanda adversa”, defende Lúcia Sebben. 

Também é preciso analisar como a pessoa tende a reagir diante das pressões diárias, adversidades e emergências em sua rotina. O uso adequado das emoções diante da tomada de decisões é um aspecto fundamental da inteligência emocional. “A capacidade de autoconhecimento e de aceitação de si, de autocríticas e de receber críticas também são indicadores do quanto o indivíduo é capaz de gerir a si mesmo, dando conta de suas demandas internas diante do mundo externo.” 

Leia também: Inapto na avaliação psicológica periódica de vigilantes: o que fazer? 

Diante desse cenário, empresas e funcionários podem ficar preocupados com uma possível alta taxa de rejeição na avaliação – por temerem uma paralisação da produção ou a perda do emprego. A realidade, porém, mostra que a reprovação varia de 3% a 5%. Na maioria das vezes, a recomendação é realocar o avaliado em uma área sem riscos significativos até que ele possa se recuperar e ser reavaliado. 

Um resultado negativo também tem sua parcela de aprendizado. Para o empregado, é a oportunidade de compreender os aspectos desfavoráveis e buscar melhorias, que se refletirão tanto na saúde e segurança no trabalho quanto em suas relações pessoais e no próprio bem-estar. Para os gestores, cabe o papel de construir um ambiente mais empático. “É preciso o foco em pessoas, sem deixar de observar as metas a serem cumpridas. Dependendo da necessidade de ajuda e do motivo da não indicação, uma simples escuta empática já ajuda muito. (…) Esse sentimento de vínculo é fundamental para sua [do empregado] recuperação e para a reinserção à função quando esta acontecer”, conclui a psicóloga. 

Avaliação psicossocial com quem entende 

Como mostramos, algumas atividades exigem que seja feita uma avaliação psicossocial dos trabalhadores expostos a certos riscos. Mas esse é um trabalho que vai muito além das exigências legais. Se você ficou interessado e quer saber como sua empresa pode utilizá-lo, entre em contato com a Sercon. Nesses 30 anos de experiência de mercado, tivemos a oportunidade de ajudar diversas empresas a entender melhor o perfil dos seus funcionários e contribuir para sua evolução. Saiba como podemos auxiliá-lo nessa tarefa! 

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