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 Psicologia Ocupacional
04/04/2017

Uso das redes sociais: uma reflexão

A comunicação virtual mudou as relações, a subjetividade e o mundo externo


No divã do analista uma mulher se queixa da falta de atenção do marido e relata sua estratégia para conseguir conversar com ele sobre questões do relacionamento e dos filhos – ela utiliza as redes sociais para se comunicar e se fazer ouvir. Em um restaurante na zona mais frequentada de Roma, um garçom se irrita com uns jovens que, mesmo já tendo finalizado suas refeições e pago suas contas, continuam sentados à mesa conversando entre eles, por meio das redes sociais, enquanto outros clientes aguardam lugar. Uma jovem de dezenove anos tenta suicídio pulando do 4º andar de um prédio, e a família se preocupa com a possibilidade de a notícia cair nas redes sociais e, assim, chegar aos ouvidos dos pais dela.  Uma senhora idosa mora sozinha e apresenta sinais de acidente vascular cerebral: imediatamente uma vizinha usa o smartphone para acionar a família e o pronto-atendimento. Um jovem, irradiando felicidade com sua aprovação no Enem, divide em tempo real sua alegria com amigos e familiares. Cenas como essas retratam a realidade das relações humanas na sociedade contemporânea.

O uso das tecnologias de comunicação denominadas “redes sociais” talvez seja o hábito que mais divide e afeta a subjetividade de nossa época. Aspectos positivos e negativos podem ser claramente identificados, levando à reflexão de que o problema não está nos aplicativos em si, mas no uso que é feito deles. Algo parecido àquela máxima da medicina: a diferença entre medicamento e veneno está na dose. O que as cenas descritas acima mostram é que tais ferramentas produzem efeitos complexos na vida das pessoas.

Para além do que se tem falado sobre aproximar ou distanciar as pessoas, economizar ou perder tempo, tirar a concentração ou facilitar pesquisas, agilizar ou distorcer a comunicação, ampliar ou equivocar saberes, seduzir o outro com imagens, dentre outros, o uso das redes sociais envolve aspectos reais tanto para o bem quanto para o mal da humanidade.  Emoções e afetos, economia, política, linguística, linguagem corporal, veiculação de desejos, tecido literal (escrita), entonação da voz, todas essas questões e outras mais estão implicadas nas relações humanas e mexem com o cotidiano das pessoas, às vezes de modo invisível, mas não podem ser contempladas no âmbito instrumental. Elas afetam tanto a estrutura psíquica do indivíduo quanto o meio, transformando continuamente a subjetividade e o mundo externo.

A relação com a linguagem e com a imagem, por exemplo, não é a mesma de vinte anos atrás. Isso levou as empresas a investirem alto em comunicação a fim de manterem um perfil à altura do seu tempo. As línguas ganham e perdem significantes a todo instante, incorporando novas possibilidades de comunicação virtual. A prática de autorretrato, a chamada selfie, não serve apenas para registrar acontecimentos ou para se fazer existir na cena do mundo, mas para algo a mais implicado nessa junção da máquina (olho) e do olhar, algo que diz respeito à captura singular que cada um pode fazer da imagem de si mesmo. Algo que o olho do outro não é capaz de apreender de seu próprio olho/olhar. É como se ver sendo visto por si mesmo.

Enfim, as mudanças tecnológicas representam um caminho sem volta, mas certamente levarão a humanidade a rever seus valores e redefinir seus hábitos. Não se trata de retroceder com as invenções, mas de fazer bom uso delas, buscando o melhor proveito das coisas boas e eliminando as toxinas que fazem mal à saúde física, psíquica e social. Vale lembrar que, assim como acontece com medicamentos, os benefícios obtidos com as redes sociais dependem da indicação pontual, do momento oportuno e da dose na medida certa.

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