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 Psicologia Ocupacional
26/03/2018

A busca pela felicidade

Pare de querer ser feliz o tempo todo para ser feliz em todos os momentos possíveis


“Tem vez que as coisas pesam mais
Do que a gente acha que pode aguentar,
Nessa hora fique firme, pois tudo isso logo vai passar,
Você vai rir… sem perceber…
Felicidade é só questão de ser,
Quando chover… deixar molhar…
Pra receber o sol quando voltar”.
(Marcelo Jeneci)

Falar de felicidade é falar de momentos bons, prazerosos e de um estado emocional positivo. Somos felizes ao estar com a família, ao sair com amigos, ao realizar coisas que gostamos, ao conquistar algo. A felicidade remete a alegria e bem-estar. É ela que, de certa forma, move o ser humano.

De modo geral, a felicidade é um estado durável de plenitude, satisfação e equilíbrio físico e psíquico, em que o sofrimento e a inquietude são transformados em emoções ou sentimentos que vão desde o contentamento até a alegria intensa. A felicidade tem, ainda, o significado de bem-estar espiritual ou paz interior.

Seria ingenuidade pensar que, em todos os tempos e culturas, a noção de felicidade sempre foi a mesma. Na contemporaneidade, ela se relaciona ao verbo “ter” e não somente ao “ser”. O capitalismo, o consumismo desenfreado, o status e a tecnologia vêm contribuindo para essa mudança. Muitos imaginam que só serão felizes se tiverem uma casa luxuosa, o carro do ano, as roupas de marcas, o cargo mais alto no trabalho, as festas e viagens glamorosas, um corpo fitness. E ainda existe a necessidade de publicar nas redes sociais todos esses momentos e acontecimentos para que sejam visualizados e curtidos. A felicidade, para alguns, está relacionada à visibilidade social.

Segundo MacMahon (2006), há exigências pulsionais que levam o homem a almejar a felicidade, procurando sensações de prazer e, ao mesmo tempo, evitando a dor, o desprazer. Nas redes sociais, é possível observar que somente “os melhores ângulos”, os sorrisos mais bonitos e os melhores momentos são postados. A infelicidade e o sofrimento são evitados e escondidos a qualquer custo. As pessoas não suportam o mal-estar e buscam silenciar seus problemas e sofrimentos. Mas, assim como a felicidade, a tristeza também faz parte da vida.

No cotidiano, as pessoas se deparam com problemas – como desemprego, luto, perdas, dentre outros – e não conseguem lidar de forma madura com essas situações. Querem tratamentos rápidos e remédios que as aliviem. Muitos buscam justificar seu sofrimento com um diagnóstico e utilizam de medicamentos para reduzirem o incomodo causado pela angústia, mas os sintomas continuam. Os remédios somente silenciam o sujeito, não tratam “a raiz” do problema. Ser feliz tornou-se um dever do ser humano.

Freud (1930/1976) aponta que “o preço que pagamos por nosso avanço em termos de civilização é uma perda de felicidade pela intensificação do sentimento de culpa” (p. 158). Em outro trecho, ele diz: “o programa de tornar-se feliz, que o princípio do prazer nos impõe, não pode ser realizado plenamente” (p. 102). Sua atitude não era de desprezo para com os esforços humanos e sim de apontar que ser feliz é um desafio. A felicidade é colocada e projetada em um lugar utópico, que não é alçando plenamente. Tudo que conseguimos obter são momentos de felicidade.

Cada um tenta formular sua felicidade à sua maneira, conforme suas fantasias. No entanto, é preciso lembrar que felicidade não é sinônimo de consumismo e que pode ser vivenciada de várias formas, sendo ela pessoal e intransferível. Momentos de sofrimento e de angústia também existem e há que se consentir com isso, sem, no entanto, deixar de escutá-los como sinal de alguma questão existencial a ser verificada. Cada sujeito precisa responsabilizar-se pela sua própria felicidade, pois ela é um desafio individual.

Fabiana Vilaça

Referências
– Freud, S. (1976). Estudos sobre a histeria. In Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, v. 2. Trad. J. Salomão. Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1893)
– _____ (1976). O mal-estar na civilização. In Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, v. 21. Trad. J. Salomão. Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1930)
– MacMahon, D. M. (2006). Felicidade: uma história. São Paulo: Globo.
WIKIPÉDIA. Desenvolvido pela Wikimedia Foundation. Apresenta conteúdo enciclopédico. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Wikip%C3%A9dia&oldid=15762238>. Acesso em: 21 Jan 2018.

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