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 Eng. de Segurança do Trabalho
11/07/2019

Perigos do amianto criosotila para o trabalhador

Proibidas desde 2017, a extração e a venda do minério ainda é tema de debate no Senado brasileiro


Um grupo de quatro senadores está lutando para que a extração e a venda do amianto sejam novamente liberadas no Brasil. Um vídeo publicado no Twitter do Senado Federal mostra a visita feita pelos parlamentares Chico Rodrigues (DEM), Davi Acolumbre (DEM), Luis do Carmo (MDB) e Vanderlan Cardoso (PP) à mineradora Sama, única produtora de amianto crisotila do país. Nele, os senadores contam que foram conhecer a situação dos funcionários e pedir ao STF para rever a proibição feita em 2017.

“Os trabalhos científicos estão mostrando que não há nenhum problema que causa câncer, como foi justificado”, disse Chico Rodrigues na gravação. Mas, o que dizem as organizações de saúde sobre isso? O amianto é realmente uma substância cancerígena?

Perigos para o trabalhador

O amianto, também conhecido como asbesto, é um mineral encontrado na natureza, que se destaca pelas características físico-químicas: é uma fibra resistente a altas temperaturas, possui boa capacidade isolante, aguenta ataque por ácidos, possui alta flexibilidade e é facilmente tecido. Foi conhecido por muito tempo como “mineral mágico”, sendo utilizado como matéria-prima importante para a construção civil. Telhas e caixas d’água feitas com esse material eram comuns até alguns anos atrás, além de ele ser também era usado em canos, pastilhas de freios e misturas de cimento para fabricação de pisos e paredes.

Com o tempo, porém, os casos de contaminação começaram a surgir. São baixos os riscos para quem consome água que esteve em contato com o amianto ou quem vive em uma casa com telhado desse material. Quem mais sofre são os trabalhadores das fábricas, expostos ao pó do minério durante as etapas de mineração, moagem e ensacamento, além de profissionais que lidam com o corte e lixamento em obras. Quem reside nas proximidades das fábricas ou tem contato direto com roupas e objetos contaminados também está exposto.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 125 milhões de trabalhadores encontram-se desprotegidos em todo o mundo e 1/3 dos cânceres ocupacionais são causados pela inalação de fibras de amianto. São cerca de 100 mil mortes causadas pela substância, sendo 67 mil só nos Estados Unidos. Especialistas da OMS afirmam que de 80% a 90% dos casos resultam em mortes.

Principais doenças

Segundo o critério 203 do Programa Internacional de Segurança Química, não há limites seguros para exposição ao asbesto e as doenças mais comuns estão relacionadas ao sistema respiratório. É principalmente por ele que as contaminações ocorrem, mas não se podem descartar as possíveis ingestões do material. Veja quais as enfermidades mais encontradas:

  • Asbestose: causada pela deposição de fibras do amianto nos alvéolos pulmonares, pois o corpo é incapaz de expelir as partículas inaladas. Isso impossibilita as trocas gasosas e promove a perda da elasticidade pulmonar e da capacidade respiratória.
  • Câncer de pulmão: o Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que 50% dos indivíduos diagnosticados com asbestose desenvolvem câncer de pulmão.
  • Mesotelioma: raro tumor maligno que pode produzir metástase por via linfática em aproximadamente 25% dos casos.

Um perigo extra é o tempo necessário para essas doenças se manifestarem. A asbestose, por exemplo, costuma surgir mais de uma década após a exposição inicial ao amianto. O mesotelioma é ainda mais demorado, podendo apresentar os primeiros sintomas apenas 50 anos depois – com uma baixa expectativa de vida – menos de cinco anos – após o diagnóstico.

Além disso, o Inca alerta que o amianto também pode causar câncer de laringe, do trato digestivo e de ovário, além de espessamento da pleura do diafragma, derrames pleurais, placas pleurais e diversos distúrbios respiratórios.

Descarte seguro

Por meio da Resolução nº 348, de 16 de agosto de 2004, o Ministério do Meio Ambiente  classifica o amianto como um “resíduo perigoso”. Isso significa que ele não pode ser descartado em qualquer lugar, sendo necessário um processo específico. Como não é um material reciclável, é preciso consultar a Prefeitura para saber como deve ser feito – o destino deve ser sempre um aterro para lixos perigosos. Além disso, é preciso um cuidado extra na hora de descartar telhas e caixas d’água desse material. Qualquer quebra pode liberar a substância no ambiente e fazer com que as pessoas ao redor inalem o asbesto. E caso esses objetos não possam ser substituídos, é preciso ter atenção com a conservação. Não utilizar abrasivos ou escovas de aço para limpá-los impede que as fibras sejam liberadas e contaminem todos da casa.

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