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 Medicina do Trabalho
12/11/2019

Como evitar os efeitos negativos da baixa umidade do ar?

Cuidados simples podem ser tomados para melhorar o bem-estar dos trabalhadores quando o dia está muito seco


No dia 14 de outubro, Belo Horizonte registrou o menor índice de umidade relativa do ar deste ano. Com temperaturas acima dos 32°C e umidade na casa dos 12%, a capital mineira viveu um dia de deserto – no qual esse índice chega a 10%. Apesar de ser uma situação comum no inverno, ela acende um alerta de emergência e exige cuidados especiais por parte das empresas e dos funcionários.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), índices de umidade inferiores a 60% não são adequados para a saúde humana. Quando eles se encontram abaixo de 30%, são acionados os alertas: de atenção, quando está entre 21% e 30%; de alerta, entre 12% e 20%; e de emergência, inferior a 12%.

E as consequências desse cenário para o corpo são imediatas, principalmente para as vias respiratórias. O ar seco, somado à maior concentração de poluentes no ar, prejudica o bom funcionamento dos pulmões. Dores de cabeça, garganta seca e irritada, olhos avermelhados, cansaço e até mesmo sangramento nasal são sintomas comuns que surgem com a baixa umidade do ar. Asma e rinite também costumam aparecer e as infecções bacterianas também se tornam mais frequentes, por sua facilidade de propagação.

“Cuidados especiais devem ser direcionados às crianças e aos idosos, por serem mais vulneráveis à desidratação e suas complicações”, alerta em entrevista o geriatra e médico de família e comunidade da Secretaria de Saúde de Belo Horizonte, André Luiz de Menezes. Entre os sinais mais graves, ele aponta a pele seca e sem elasticidade, a intensa diminuição da vontade de urinar e, em alguns casos, o cansaço, a sonolência e a confusão mental. Febre e falta de ar são sinais ainda mais preocupantes, que exigem ida imediata ao médico.

Quando a baixa umidade ocorre em um dia frio, ainda pode causar coceiras e dermatites, pois a pele perde a lubrificação natural que retém a umidade. “No caso da seca, o organismo humano está inserido em um meio ambiente que por si só é agressivo. A pele, os olhos e o aparelho respiratório ficam ressecados. Daí a necessidade de hidratação constante”, explica a pneumologista Keyla Maia, do Hospital Universitário Júlio Müller, da Universidade Federal do Mato Grosso, em entrevista para o Ministério da Saúde.

O que é a umidade relativa do ar?

Em uma explicação bem simplificada, é o quanto de água na forma de vapor existe na atmosfera, comparado ao máximo que poderia existir naquele momento – sempre levando em consideração a temperatura. Os períodos mais críticos são o fim do inverno e o início da primavera, entre 12h e 16h. E esse índice só melhora quando chove, devido à evaporação posterior da água; quando se está próximo a áreas florestadas ou a rios e represas; e quando a temperatura diminui, no fim do dia ou início dele, graças ao orvalho.

Como prevenir

Não podemos controlar as mudanças climáticas do ambiente, pelo menos não em curto prazo. Por isso, é preciso tomar algumas atitudes para contribuir com a melhoria da qualidade de vida das pessoas, tanto em casa quanto no ambiente laboral.

  • Tomar água com frequência é essencial, mesmo que você não sinta sede. A cor da urina é o melhor indicador para verificar se o nível de hidratação está adequado ou não: quanto mais escura, maior a necessidade de beber água.
  • No lanche, dê preferência a frutas com muito líquido, como melancia, melão e laranja.
  • Deixar um umidificador ligado no ambiente de trabalho ou uma bacia cheia de água contribui para amenizar os problemas gerados pela baixa umidade.
  • Usar soro fisiológico para lavar as narinas e colírios para lubrificar os olhos também ajudam a minimizar os efeitos.
  • Evitar atividades físicas no período das 11h às 16h, quando a umidade do ar atinge os níveis mais críticos.
  • Não fumar em ambientes fechados, evitando a concentração de poluentes que podem agravar os sintomas do tempo seco.
  • Usar produtos hidratantes por todo o corpo, principalmente depois do banho.
  • Sempre que possível permanecer em locais protegidos do sol, mas evitar ambientes fechados, com ar-condicionado ou aglomeração de pessoas.

A maioria dessas ações podem ser tomadas também no ambiente laboral, pois garantir o bem-estar dos trabalhadores é a essência de qualquer bom programa de Segurança e Saúde do Trabalho. Essa discussão, inclusive, já chegou à Câmara dos Deputados.

O Projeto de Lei 3.501/2012, do então deputado federal Eliene Lima, propunha a suspensão das atividades executadas a céu aberto no período das 12h às 16h, quando a umidade relativa do ar registrar um índice inferior a 20%. O PL acabou sendo rejeitado em 2015, sob a justificativa da dificuldade do setor produtivo em realizar perícias técnicas e fornecer equipamentos de proteção individual para lidar com essa situação.

Isso mostra que a questão está em pauta, embora ainda sem uma regulação. As empresas têm a oportunidade de sair na frente e realizar ações para minimizar os efeitos da baixa umidade nos trabalhadores. Todos têm a ganhar com isso, então basta colocar as ações em prática.

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