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 Medicina do Trabalho
24/04/2019

Cuidados das empresas com a dengue

Minas Gerais vive terceiro maior surto da doença, e companhias podem contribuir com a prevenção


Minas Gerais está em alerta. Os casos de dengue registrados no primeiro trimestre deste ano já superaram os do mesmo período de 2010, ano em que foi registrada a terceira maior epidemia do Estado. De acordo com o Boletim Epidemiológico lançado pela Secretaria de Saúde em 15 de abril, são 121.699 casos prováveis, com 14 óbitos confirmados e 48 ainda em investigação. Os números só não são piores do que as duas epidemias mais recentes, de 2013 e 2016.

Além de ser um dos principais problemas de saúde pública no país, os casos de dengue também afetam as empresas. De acordo com uma pesquisa da empresa de consultoria Gesto Saúde e Tecnologia, a doença foi a quinta causa de afastamentos do trabalho em grandes companhias em 2015. Com a multiplicação dos casos este ano, é possível que um impacto seja novamente identificado. Postos de saúde de Belo Horizonte, por exemplo, têm ficado abertos para desafogar as Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs), que registram um aumento de 40% na demanda em razão das suspeitas de dengue.

 Por isso, as empresa devem contribuir para a prevenção, seja cuidando do próprio ambiente interno ou criando estratégias para evitar a disseminação da doença.

Sintomas da dengue

A infecção por dengue pode ser assintomática, leve ou grave – podendo até mesmo levar à morte. Por seu primeiro sintoma ser febre alta, de início abrupto, às vezes é difícil diferenciá-la de outras doenças. Caso o quadro permaneça por mais de dois dias, é preciso averiguar.  A febre também pode vir acompanhada de:

  • Dores de cabeça, no corpo, articulações e atrás dos olhos.
  • Fraqueza.
  • Prostração.
  • Erupções e coceiras na pele.
  • Perda de peso.
  • Náuseas.
  • Vômitos.

Em casos mais graves, também podem surgir dores abdominais intensas e contínuas, vômitos persistentes e sangramento das mucosas. O diagnóstico é clínico, confirmado por exames laboratoriais de sorologia, biologia molecular e isolamento viral – todos disponíveis pelo SUS.

Cuidados na empresa

Não há dispositivos legais que atribuam dolo à empresa caso um funcionário contraia dengue em suas dependências. A Norma Regulamentadora 7 (NR 7) determina apenas que a companhia é responsável por prevenir, rastrear e diagnosticar precocemente os agravos à saúde relacionados ao trabalho. Há casos, porém, que ultrapassam as questões trabalhistas e se tornam uma situação de bem-estar coletivo. A luta contra a dengue é uma delas.

Para evitar os focos de proliferação do Aedes aegypti, os cuidados são muito parecidos com os que devem ser seguidos em casa. O que muda, nesse caso, é apenas a escala.

  1. Cuidado com recipientes que podem acumular água. Para evitar que o mosquito se reproduza, o primeiro passo é eliminar os possíveis criadouros de larvas. Bombonas de plástico, pneus, caixas d’água, reservatórios e vasos de plantas devem ser esvaziados ou vistoriados com frequência para evitar o acúmulo de água.
  2. Mantenha os ambientes limpos. De nada adianta retirar a água de um recipiente se os ovos permanecerem ali. Após 15 horas da postura, eles adquirem um alto potencial de sobrevivência, podendo ficar até 450 dias em um ambiente seco antes de eclodirem. Ou seja, se os locais não forem limpos com uma bucha ou com um equipamento adequado de limpeza, os ovos podem permanecer inativos até o próximo período chuvoso.
  3. Utilize inseticidas e repelentes. Em ambientes fechados, é possível fazer uso controlado de inseticidas para evitar que mosquitos transmissores apareçam. É preciso observar apenas as especificações do produto, adequando-o ao fluxo de pessoas, à quantidade de vetores no local e ao tamanho do cômodo. Já o uso de repelentes é efetivo tanto em ambientes internos quanto externos, com destaque para os que possuem UVA e UVB em suas fórmulas.
  4. Evite a entrada do mosquito. Se a empresa possibilita a instalação de telas de proteção em portas e janelas, faça isso. Não só os transmissores da dengue serão barrados, mas todos os demais insetos que podem ser atraídos pelos outros métodos.
  5. Cuidado extra com as frestas. Em uma empresa, são muitos os espaços pequenos e que podem acumular água. É preciso ficar atento com vãos nas portas, nos telhados e nos equipamentos para evitar a proliferação do mosquito.
  6. A prevenção se estende para a casa do colaborador. As propriedades domiciliares são grandes focos do Aedes aegypti, sendo necessário que a empresa estimule o funcionário a também adotar medidas preventivas em sua residência. Para isso, a realização de campanhas educativas pode ser uma boa abertura para o diálogo.

Seguindo essas dicas, a empresa faz sua parte para prevenir a doença. Mas combater a dengue é um esforço coletivo, então todos precisam ficar atentos a possíveis criadouros de mosquitos. Caso surjam os primeiros sintomas, procure um médico.

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