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 Medicina do Trabalho
11/07/2019

Síndrome de Burnout será classificada como doença ocupacional

Decisão incita debates nas empresas sobre a importância de se preocupar com a saúde mental dos trabalhadores.


A partir de 2022, a Síndrome de Burnout será caracterizada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um fenômeno ocupacional. A decisão reconhece que, se as empresas não sabem administrar o estresse crônico dos trabalhadores, é possível que outras doenças sejam desencadeadas. Com isso, abrem-se novas perspectivas para decisões judiciais em questões trabalhistas relativas à saúde mental.

“É a primeira vez que o esgotamento profissional entra na classificação”, disse o porta-voz da OMS, Tarik Jasarevic, durante a Assembleia Mundial da Organização, em maio. A nomenclatura será incluída na 11ª Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-11), mas não será classificada como uma condição de saúde: estará presente no capítulo Fatores que influenciam o estado de saúde ou o contato com os serviços de saúde.

Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde, a descrição presente no novo documento será:

Burnout é uma síndrome conceituada como resultante do estresse crônico no local de trabalho que não foi gerenciado com sucesso. É caracterizada por três dimensões:

1. Sentimentos de exaustão ou esgotamento de energia;

2. Aumento do distanciamento mental do próprio trabalho, ou sentimentos de negativismo ou cinismo relacionados ao próprio trabalho; e

3. Redução da eficácia profissional.

Ou seja, o Burnout não surge de uma hora para outra. Ele é fruto de um processo contínuo de desgaste mental, que desencadeia um sentimento de exaustão responsável por diminuir a vontade e a produtividade. Pode ser percebido naqueles trabalhadores que já não conseguem mais executar suas tarefas por estarem esgotados de todo o processo.

E apesar de parecer uma enfermidade decorrente das atuais relações de trabalho, muitos especialistas acreditam que ela teve início durante a Revolução Industrial, no século XVIII. O termo “burnout”, porém, só foi cunhado pelo psicanalista estadunidense Hebert Fraudenberger em 1974, ao identificar os sintomas em si mesmo e em colegas de trabalho.

Mas não se pode descartar a influência do mundo moderno no aumento dos diagnósticos. Em entrevista para a ProXXIma, a psicóloga-chefe do FalaFreud, Sabrina Ferrer, afirma que o aumento da competitividade trouxe muita pressão e poucas válvulas de escape. “Os seres humanos estão cada vez menos sabendo lidar com a rotina, colocar em prática a divisão das coisas. As pessoas têm muita resistência em admitir que podem estar sofrendo de Burnout, o que dificulta o tratamento e a possível cura.”

Isso ficou mais claro com a pesquisa realizada em 2016 pela Isma-BR, representante local da International Stress Management Association. Nela, 72% dos entrevistados afirmaram estar frequentemente estressados e, desses, 32% apresentavam sintomas de Burnout. Dos que foram efetivamente diagnosticados com a síndrome, 92% se sentiam incapacitados; 90% praticavam o presenteísmo (estavam presentes na empresa, mas sem efetivamente trabalhar); 49% apresentavam depressão; e 92% deles disseram que só continuam a desempenhar suas tarefas por medo de serem demitidos.

“Embora o Burnout represente um nível exacerbado de estresse, as pessoas continuam em seus postos de trabalho pelo medo do desemprego. Um trabalhador nesse estado está mais propenso a cometer erros graves”, disse a psicóloga e presidente do Isma-BR, Ana Maria Rossi, em entrevista para o Estadão.

Principais sintomas do Burnout

É preciso ficar atento porque, muitas vezes, o estresse é confundido com Burnout. Embora aquele seja um sintoma deste, os indícios para diagnóstico da síndrome são bem mais abrangentes. De acordo com o site do médico Dráuzio Varela, o mais típico é a sensação de esgotamento físico e emocional, que acaba refletido em outras atitudes, como:

  • Absenteísmo ou presenteísmo.
  • Isolamento.
  • Irritabilidade.
  • Mudanças bruscas de humor.
  • Lapsos de memória.
  • Ansiedade.
  • Agressividade.
  • Dificuldade de concentração.
  • Baixa autoestima.
  • Pessimismo.
  • Depressão.

Além disso, o Burnout também pode gerar reflexos físicos como dores de cabeça, palpitação, sudorese, insônia, crises de asma, distúrbios gastrointestinais, pressão alta e dores musculares.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico deve ser realizado por um profissional da área de Saúde Mental, seja ele psicólogo ou psiquiatra. São levados em consideração os sintomas apresentados, a história pessoal e o contexto atual de vida da pessoa. Também podem ser utilizadas respostas psicométricas e questionários baseados na Escala Likert – muito utilizada em pesquisas de opinião.

O tratamento pode ser realizado por via terapêutica ou com o uso de medicamentos, sempre com o auxílio de profissionais da área capacitados para lidar com o assunto. Praticar exercícios físicos e criar momentos de lazer e descontração também são ações fundamentais para tratar o Burnout. Um dos passos mais importantes é entender quais condições de trabalho estão afetando a saúde mental. Isso vai mostrar que a síndrome não é decorrente de uma falha pessoal, mas sim de uma incompatibilidade com as condições de trabalho. Muitas vezes é a estrutura da empresa, a carga horária ou o modo como a liderança se porta. E todos precisam fazer sua parte para eliminar esse problema e propiciar uma boa recuperação para os pacientes.

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