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 Medicina do Trabalho
26/05/2020

Controle da temperatura é a melhor forma de monitorar a Covid-19?

Uma das ações mais simples que têm sido implementadas nas empresas é a verificação de temperatura na entrada dos estabelecimentos. Ela funciona?


Permanecer funcionando durante a pandemia é um desafio para as empresas que prestam serviços essenciais à população ou que já estão liberadas para funcionar. É necessário seguir as regras de segurança determinadas pelos poderes públicos municipais e estaduais, mas as companhias podem lançar mão de outras medidas para minimizar o risco de disseminação do vírus. E uma das ações mais simples que têm sido implementadas é a verificação de temperatura na entrada dos estabelecimentos.

Supermercados, por exemplo, têm utilizado termômetros de infravermelho na chegada de clientes e empregados para impedir o ingresso de quem apresenta temperatura acima do normal. Especialistas em doenças infecciosas advertem, porém, que este procedimento não é completamente seguro e que, por isso, não deve ser a única medida adotada para lidar com a pandemia.

De acordo com o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), os sintomas da Covid-19 se desenvolvem entre dois e 14 dias após a exposição – o que significa que alguém pode estar em período de incubação do vírus, em estágio inicial da doença ou mesmo assintomático ao ter a temperatura medida. Ou seja, a transmissão da doença não é evitada simplesmente pelo fato de nenhuma alteração da temperatura ter sido constatada.

Além disso, embora a febre seja esperada, especialistas também descobriram que não há garantia de que ela esteja associada a todos os casos de contaminação. Um estudo publicado no Journal of American Medical Association, que analisou 5.700 pessoas gravemente doentes na área de Nova York, descobriu que dois terços não apresentavam febre, por exemplo.

De mais a mais, a verificação de temperatura pode ser um desafio logístico para as empresas. Até mesmo porque não há uma determinação técnica de como deve ser feita essa medição e é comum que algumas dúvidas surjam. Qual deve ser a frequência? O que fazer com empregados que tomam medicamentos para dores de cabeça ou artrite, que podem suprimir a febre? E, por fim, quem medirá as temperaturas?

Sobre esse último ponto, é preciso ter atenção extra com termômetros de orelha ou testa, que podem maquiar os resultados ​​se não forem utilizados corretamente. Dependendo de como a medição for realizada, a temperatura corporal registrada pode não corresponder à realidade, sem contar o fato de que ela também estará sujeita à influência de fatores ambientais – como temperatura externa, vento e chuva – ou à realização de atividades físicas.

Mas é confiável?

Apesar de tudo isso, a utilização dos termômetros ainda é uma boa forma de prevenir o contágio, pois, se utilizados corretamente, eles podem ajudar na triagem. Uma consulta médica adequada, no entanto, ainda é a forma mais eficiente de detectar a doença

Caso a empresa opte pela realização da medição da temperatura corporal do empregado, reunimos algumas dicas para facilitar esse processo:

  • Triagem: esse é o momento para fazer uma análise prévia do empregado ou do cliente, medindo a temperatura e, se possível, avaliando os sintomas antes mesmo de iniciar o expediente ou de permitir a entrada no ambiente da empresa.
  • Monitoramento: se o empregado não apresentar febre e/ou outros sintomas, ele deve se automonitorar sob a supervisão da equipe de saúde ocupacional da empresa. A Sercon, inclusive, está oferecendo um atendimento exclusivo a distância para seus clientes e colaboradores que estiverem com suspeita de coronavírus.

Mas, lembre-se: se você se sentir mal, fique em casa e se recupere.

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