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 Medicina do Trabalho
05/02/2021

Imunização ocupacional deve ser priorizada

Procedimento é previsto em lei e as empresas devem estar atentas ao calendário de vacinação para garantir a proteção de toda a equipe


A maioria das vacinas recomendadas no Brasil é aplicada em crianças, seja no momento do nascimento ou nos primeiros anos de vida. Esse modelo se mostrou bastante eficaz e possibilitou o controle e a erradicação de diversas doenças, como a rubéola congênita, o tétano neonatal, a difteria e o sarampo. Muitas vacinas, no entanto, necessitam de um reforço durante a fase adulta, embora muitos não se deem conta da importância desse cuidado.

Segundo estudos de órgãos internacionais, 76% dos pacientes não completam os calendários básicos de imunização. Destes, apenas 7% recebem a orientação adequada. Os dados são preocupantes, pois a vacinação de adultos ajuda a diminuir a mortalidade precoce e melhorar a qualidade de vida, evitando novos surtos ou epidemias.Essa falha, inclusive, exige que em muitos casos seja preciso utilizar a imunização passiva, tratamento mais caro e que consiste na administração direta de anticorpos no paciente – como em ferimentos ou acidentes com materiais cortantes.

Manter o cartão atualizado também tem um efeito positivo para as empresas. As doenças infecciosas são vistas como um agravo a que os trabalhadores estão expostos e podem gerar prejuízos como aumento do absenteísmo e até mesmo afastamentos mais longos. Por isso, incentivar a imunização e manter um calendário de vacinação ocupacional são ações necessárias para garantir o bem-estar de todos.

Leia mais: A importância de exames periódicos

Vacinação ocupacional

Com a baixa adesão dos adultos aos imunizantes, as empresas têm papel crucial no controle de epidemias e na promoção da saúde dos colaboradores. O assunto é tão importante que a Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt) e a Sociedade Brasileira de Imunização (SBim) desenvolveram o Guia Prático de Atualização em Vacinação Ocupacional, que traz informações completas para nortear as empresas quanto ao Calendário de Vacinação Ocupacional e as ações de vacinação no ambiente ocupacional.  

As empresas podem inserir as ações no Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), observando quais são os riscos biológicos da função, os riscos individuais e do ambiente e a presença de surtos, de modo a promover campanhas educativas voltadas para os colaboradores. Além de ser útil para evitar faltas, licenças e afastamentos por motivos de saúde, essa atitude é vista como um benefício pelo colaborador.

Vale lembrar que, para instituições e estabelecimentos de saúde, a Norma Regulamentadora 32 define regras específicas a serem cumpridas para manter os colaboradores imunizados e livres de infecções por vírus. Ela determina, por exemplo, que todo trabalhador da área deve receber gratuitamente todas as vacinas registradas no país, independentemente de estarem ou não inseridas no Programa Nacional de Imunização (PNI). O médico do Trabalho é o responsável por definir quais serão aplicadas, de acordo com os riscos biológicos a que os profissionais estão expostos.

Leia mais: A importância das lideranças para as ações de SST

Vacinas recomendadas

No calendário de vacinação ocupacional, proposto pela SBim nos anexos do Guia Prático de Atualização em Vacinação Ocupacional, são recomendadas as seguintes vacinas: tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), hepatites A, B ou A&B, HPV, difteria, tétano, coqueluche, varicela, influenza (gripe), antimeningocócica C conjugada, febre amarela e raiva.

A recomendação varia de acordo com a profissão e a exposição aos riscos biológicos presentes nas atividades desempenhadas. Todos os profissionais são indicados para receber a vacina da gripe, por exemplo. A de febre amarela está prevista apenas para quem atua na área de aviação, militares, policiais e bombeiros. Já a de HPV é recomendada só para profissionais do sexo. Por isso, é preciso ficar atento às indicações adequadas a cada caso.

Imunização contra a Covid-19

O mundo vive um momento histórico, após diversos imunizantes contra a Covid-19 terem sido produzidos em tempo recorde e aprovados para uso emergencial. Nesse cenário, as empresas podem apoiar a campanha de imunização realizada pelo Ministério da Saúde, destacando a importância da vacina para preservação da saúde. Comunicados internos que esclareçam as dúvidas dos funcionários, detalhes sobre as fases da campanha, informações sobre os locais credenciados para vacinação e reforços sobre a necessidade de tomar a segunda dose são apenas algumas das ações que podem ser desenvolvidas internamente.

Além disso, é importante ressaltar que as medidas de segurança contra a Covid-19 devem ser mantidas mesmo por pessoas que já foram imunizadas. A Sercon elaborou diversas ações para auxiliar sua empresa neste momento de pandemia. Confira como podemos te ajudar.

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